06 setembro 2012

Quem são eles? Quem eles pensam que são?

Dieison Marconi                          
Todos sabem que as reivindicações da comunidade LGBT, apesar das constantes apunhaladas que sofrem de grupos contrários, nós gays, lésbicas, bissexuais, transformistas e transexuais temos um discurso que aos poucos, em doses homeopáticas, vem se legitimando.  Mesmo assim, ao passo que a nossa minoria sexual torna-se visível frente a mídia, sociedade e poder público, alguns de nós permanecem inexistentes, na invisibilidade social. São aqueles que não têm seu discurso assegurado,  que não tem sua imagem atrelada a esta incessante luta por um vida mais digna e sem repressões, que parecem não existir dentro de um movimento que já tem mérito e muitas conquistas. E pior, essa invisibilidade de alguns dentro do movimento LGBT parece comungar com um preconceito de massa: falo aqui da invisibilidade dos idosos, da invisibilidade dos idosos homossexuais.

Idosos em geral ainda são um tanto quanto inexistentes aos olhos da esfera pública, ainda parecem perder a importância por lhe lançarem o rótulo de “improdutividade” e “despesa” ao poder público. São esquecidos em prol da ultravalorização da beleza e do mito da juventude eterna. Tudo isso acontece ao passo em que estatísticas demonstram que nossa população está vivendo mais, que a longevidade tem sido um exemplo de bom índice de desenvolvimento humano no país se comparado  há décadas atrás. Outro item que parece quase intocável quando o assunto é a população idosa é a sua sexualidade: é como se esta fosse anulada por um preconceito que diz respeito a vida sexual na velhice. É tão difícil imaginar a vovó transando com o vovô? Pode ser, e para muitos, realmente é. Mas eles não são crianças, meu bem. Ainda assim, a atenção que idosos heterossexuais recebem quando comparada com a atenção que idosos homossexuais recebem, temos uma dimensão aterrorizante da falta de visibilidade que os nossos "LGBTs velhos" possuem, pois se as concepções heterormativas, homofóbicas e patriarcais já maculam nossa sexualidade “desviante” enquanto jovens, o que dizer de uma sexualidade desviante na velhice?! Murilo Mota Peixoto, que tem alguns estudos na área, diz que enquanto é “aceitável” remeter a sexualidade de idosos heterossexuais ao carinho, proteção e companheirismo, a sexualidade dos idosos homossexuais está atrelada a estereótipos vulgares, sujos e grotescos.   Além disso, me parece que enquanto idosos heterossexuais vislumbram e possuem um presente rodeado por esposa ou marido, filhos e netos, idosos homossexuais por não se inserirem neste modelo, são  apenas aqueles e aquelas sobreviventes acusados de peste gay lá no  século passado. 

E onde fica a inserção social desta minoria?  Quais são as estatísticas que temos dessa população? Onde eles estão?  Quando passarão a existir do ponto de vista histórico, cultural e social? Quando haverá mais estudos que contemplem gênero e geração? Quando haverá políticas públicas voltadas para este segmento? Ah sim, eu havia esquecido: nosso governo federal, em meados de Fevereiro vetou um vídeo de uma campanha pela prevenção de doenças sexualmente transmissíveis entre homossexuais JOVENS porque neste havia dois  MENINOS que se acariciavam. A campanha se dava pelo fato de que as maiores vitimas de contaminação por DSTs ainda são homossexuais. No entanto, em tal contexto de visibilidade de homossexuais IDOSOS, como vamos esperar algo do gênero voltado para mesmos?    Onde está a comunidade LGBT para torná-los visíveis? Eu sei que é difícil levantar causas de quem está completamente escondido e até se esconde por contra própria, no entanto, temos de cimentar discussões de como dar visibilidade ao idoso homossexual, de como tirá-los do anonimato, de que forma tirá-los do gueto.
Quem sabe,  estudos  como estes abaixo, podem ser o inicio.  Para quem se interessar, é só clicar aí: 

10 comentários:

  1. muito boa sua contextualização para um tema tão relevante ... eu e o Elian q convencionalmente já ingressamos na chamada "melhor idade" temos o privilégio de termos um ao outro, amigos e família q nos respeitam e nos apoiam ... mas com certeza somos uma minoria dentro da minoria ...

    bjão

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  2. Bom dia,
    já viu post novo???
    http://arainhadobaile.blogspot.com.br/2012/08/mais-um-ano-se-passou.html
    E agora estou com novo projeto, conto com sua presença lá também.
    http://www.youtube.com/user/sheocanal/videos
    Bitokas da Queen

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  3. Realmente pouco se discute ou se fala em idosos homossexuais, mas já é hr de parar para pensar pq daqui a pouco esses serão uma massa bem grande.

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  4. Uma questão bem interessante para se pensar, os direitos e a saúde dos idosos homoafetivos. Belo texto!!!

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  5. Realmente é tão raro ver um casal idoso heterossexual trocando carinhos em público, mas já tive a honra de assiste esta cena, e enquanto idosos homossexuais ainda não tive esta oportunidade. Talvez muitos se escondem ainda porque durante suas juventudes não tinham o espaço e o conhecimento que muitos homossexuais hoje têm para se revelarem e buscarem direitos aos quais buscamos. O movimento LGBT's tem muito pontos a serem trabalhados, ainda tem minoria dentro desta minoria que não é lembrada como os idosos homossexuais.
    Ótimo texto. Abraços!

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  6. pois é, é preciso levar em consideração essa parcela sim. e rápido.

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  7. Muito bom seu texto Dieison... É realmente preocupante a maneira como nossos idosos são tratados na atualidade. Héteros com condescência, quando muito, e homos, com uma invisibilidade desrespeitosa e ignorante. Fico pensando constantemente a que tipos de pessoas nós, agora adultos, estaremos expostos na nossa velhice. É um caso preocupante.
    Beijos querido

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  8. Extraordinário!

    Os piores preconceitos, aqueles mais sórdidos, surgem dos próprios movimentos LGBTs. O que resvala como algo contraditório, visto que uma das premissas dessa comunidade é a inclusão, o respeito e a aceitação de todas as vertentes da sexualidade. Acredito que isso acontece por causa da visão da inutilidade da velhice e, como o texto bem foca, na questão dos esteriótipos difundidos e cobrados pela mídia, os quais criam vários "peter pans" perdidos nessa nossa terra do nunca: onde nunca se respeita ninguém, nem tão pouco abri-se espaços para que as minorias possam se refugiar da fúria da discriminação alheia.

    Talvez essa postura pejorativa que nutrimos hoje pelos gays idosos seja mudada com a passar do tempo. Acredito que isso poderá acontecer quando a sociedade de fato perceber que está vivendo mais e, por isso, tem mais chances de curtir sua vida íntima por um tempo mais prolongado. Além disso, daqui prá lá, muitos preconceitos contra a homossexualidade serão enfim quebrados, não por completo, mas o suficiente para que esse grupo possa viver e ser visto com dignidade.

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  9. é uma questão muito pertinente que temos dese já começar a pensar.

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