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26 março 2013

Refletindo

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Não é... Sem mais comentários. 
Bjos a todos e todas
 (minha ausência se justifica pela correção do meu primeiro capítulo da dissertação, menos um eheheh quase lá)

31 janeiro 2013

Identidades customizadas

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Eu adoro ler a revista Carta Capital, e lendo ela essa semana achei um texto bem legal que vale a pena ser compartilhado aqui no blog. Grifei algumas partes que merecem ser pensadas.

Willian Vieira - Edição 733 de Carta Capital

Espelho, espelho meu.
Quando 24 pessoas subiram ao altar no salão nobre da Faculdade de Direito da USP, em 2011, para celebrar o primeiro casamento homoafetivo coletivo realizado no Brasil após a decisão do STF a favor da união, era quase impossível aplicar rótulos. Casais de mulheres vestidas de noiva dividiam espaço com outras em trajes masculinos e casais de homens de terno, com outros de cauda de noiva. Todos se apertavam entre convidados, cujo espectro identitário se esticava de transexuais que um dia habitaram corpos de homens, de braços dados com outros (ditos héteros), até mães e pais tradicionais. Quem ali era o quê? Para uma pergunta comum duas décadas atrás, a resposta que sobra, em tempos de sexualidades difusas, parece uma só: o questionamento é que não cabe mais. E tende a ter ainda menos sentido no futuro.
“Afinal, qual é o gênero de Deus?”, pergunta-se o reverendo Cristiano Valério, ao se descrever como homem homossexual e líder da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), “entidade religiosa inclusiva” fundada nos Estados Unidos e instalada há poucos anos no Brasil. Foi ele quem celebrou o casamento na USP. À frente de uma igreja com “bandeira política” – aceitar qualquer indivíduo de qualquer sexualidade e fazer da discussão de gênero e identidade algo do passado –, Valério prediz um futuro no qual o tema seja superado. “Nossos casamentos têm a função de mostrar às pessoas que gênero é uma construção social, e identidade sexual e gênero são coisas bem diferentes. Cada um deve ser aquilo que lhe cai bem, que lhe faz bem. Não é?”
O que o reverendo diz como ativista os pesquisadores têm comprovado na academia: a sociedade, ao menos a ocidental, tende a dar cada vez menos importância às questões de gênero e orientação sexual em prol de escolhas quase customizadas de identidade, baseadas nos direitos individuais de se assumir e buscar satisfação sexual e social como se quiser. “Os pesquisadores hoje lutam com a complexidade do tema. Não assumimos mais que identidade, algo que é autoconstruído, seja o mesmo que comportamento sexual”, explica Julia Heiman, professora de ciências neurológicas e psicológicas da Indiana University, nos Estados Unidos, e diretora do Instituto Kinsey, centro de ponta nos estudos da sexualidade. Um homem que se identifica como heterossexual pode ter sexo com outros homens: o comportamento não anula sua identidade, diz. “Com a exposição às tecnologias, as pessoas tendem a mudar cada vez mais suas expectativas e crenças sobre si mesmas como pessoas sexuais.”

27 novembro 2012

Uma forma de agressão simbólica

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Existem várias formas de ser preconceituoso. Outro dia eu admiti que não gosto de gays "afetados", alguns falaram que isso era homofobia, mas não é. Isso por que eu nunca agredi fisicamente ou verbalmente  ninguém. Mas existe um tipo de preconceito que é o pior de todos, que são aquelas pessoas que se dizem abertas para a diversidade em seu discurso mas que na prática agem de forma preconceituosa. Quero compartilhar uma história com vocês. 
Na semana passada eu fui com meus colegas do mestrado em um piquenique num parque ecológico que tem aqui em Floripa. Nesse encontro teve uma colega que ficou várias vezes falando coisas do tipo "ah isso é coisa de viadinho". Eu me senti muito constrangido, pois todos sabem que eu sou gay, e usar essas expressões pejorativas é algo tão homofóbico quanto uma agressão física. Muitas pessoas usam expressões similares para desqualificar algo ou alguém, e usam como se fosse algo normal e sem medo, depois se dizem defensores das diversidades e dos direitos homoafetivos.   
Quando eu fazia minha graduação no Paraná, ouvia com frequência algumas pessoas dizendo "isso é coisa de preto", quando queriam se referir a algo mal feito. Esse tipo de expressão é racista e completamente preconceituosa, tão quanto "isso é coisa de viadinho". O que quero dizer é que as pessoas que usam essas expressões, são preconceituosas e vivem com uma falsa mascara de respeito. No entanto, as mascaras as vezes caem sem querer, revelando os seus verdadeiros preconceitos. 

03 setembro 2012

A televisão e os homossexuais

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Uma pesquisa feita pela folha de São Paulo em 1997, mostrou que 57% dos pais acreditavam que era a televisão  que   educava   os   seus   filhos,  além   disto,   a  pesquisa   apontava   também   que   a   televisão aberta atingia 160 milhões de brasileiros, sendo que 18% eram analfabetos e em torno de 40% eram semianalfabetos, isso é muito preocupante se levarmos em conta que essas crianças de 1997 são os adolescentes de hoje, e que se realmente cresceram educados pela televisão provavelmente estão imbuídos de estereótipos  em relação aos homossexuais, pois por muito tempo a televisão apresentava  (e ainda apresenta) o   homossexual   apenas   como   um   personagem   cômico   que   levava   a   diversão   pela ridicularização”. 
Na maioria das vezes o homossexual é apresentado como um desviante do comportamento “correto” e aceito pela sociedade. Bauman um sociólogo bem famoso no meio acadêmico nos mostra que cada sociedade traça fronteiras e mapas estéticos e morais, por conseguinte ela produzirá também os indivíduos que irão transgredir essas fronteiras, seja pela sua cor de pele, cultura étnica, religião, gênero ou orientação sexual.  Desta forma, pelo padrão cultural e moral muito ligado a preceitos religiosos, o homossexual no Brasil não se enquadra num mapa estético e moral, por isso é visto como o “diferente” sendo não apenas não reconhecido pela sociedade, mas também pelo poder público que ainda não estendeu todos os direitos civis e jurídicos a essa população.   Nos últimos anos o homossexual tem sido representado na televisão de uma forma mais séria, porém a sua orientação sexual nunca é exposta de forma explicita, com um beijo, um olhar romântico ou uma insinuação. Esse tipo de comportamento por parte da televisão e da sociedade em geral pode ser chamado de hipócrita, pois é de alguma forma, uma conduta social baseada na “lei do silencio”, onde existem comportamentos  que   todos  conhecem,  mas   ninguém comenta”.

Depois de alguns dias longe do blog, estou voltando. Brincar de mestrado não é fácil!!

23 agosto 2012

Do armário para a poesia

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Dieison Marconi


(Conversas com Felipe Freitag)
Lembro quando você falou: dentro do armário só tem bolor e naftalina, vem já pra fora meu bem, que só aqui é que tem calor e adrenalina.” (  Armário/ Zeca Baleiro) 
Felipe me diz: 
 Me assumi após um período um tanto longo e adverso de assexualidade, justamente, pelo fato de não poder experenciar a minha sexualidade de maneira integral, e diria, até fundamental na cidadezinha onde morava. Com a ajuda, ou melhor, com a espécie de anjo abençoado que surgiu na minha vida em 2008, comecei a criar coragem para as tentativas mais dolorosas que até então povoavam as minhas inquietações. Aos 20 anos, com espaço e tempo definidos, dei meu primeiro beijo, e o mesmo já fora com um menino. Por que razão assumi-me? Simples, embora complicado: chega-se a certo ponto, em que vivenciar a sexualidade é motivo de felicidade enobrecida.
“Se estas paredes falassem, se contassem cada vez que sonhei viver em outro lugar, onde Marte ama Marte, e Vênus pode passear de mãos dadas com Vênus, sem se preocupar." (Dance of days)
 O maior problema em face da minha homossexualidade, sem dúvida adveio da minha família e das pessoas da minha cidadezinha de 3 mil habitantes, pois, meus amigos aceitam-me. Também acredito que as dificuldades em aceitar-me como homossexual tenham surgido tão somente com a minha criação católica, que me levava a crer no conceito de pecado, e também do não conhecimento de outros homossexuais com quem eu pudesse conversar para tentar entender o que se passava comigo.
 "Muitas vezes perdi-me pelo mar, como me perco nos corações de alguns meninos" (Garcia Lorca)
Minha mãe descobriu a minha homossexualidade, como que por acaso, um acaso consciente, na verdade, já que ela leu meu diário em 2009, sem a minha permissão.  A reação dela foi péssima, pois sua vida sempre fora guiada pelos conceitos e dogmas católicos, talvez seja tão somente o motivo de considerar a homossexualidade um pecado que fez com que minha mãe chorasse muito e não aceitasse minha sexualidade. Já meu pai desconhece a minha orientação sexual, ou finge desconhecer. Já meu irmão, turrão e rude, não me aceita.  Inclusive, o maior preconceito que já sofri foi agressão física por parte do meu irmão, embora as agressões verbais sempre tenham doído muito em mim. 
Atualmente, todos os membros da minha família deixam a minha sexualidade na ordem do silêncio, procuram não tocar no assunto, embora, tenha conhecimento dela e da vivência dela. O fato de eu não morar mais com a minha família favorece essa compreensão velada por parte deles.
Sempre me senti meio menino”, e chegou uma época que eu tentei mudar, mas não consegui, eu tentava “ficar” com meninos, mas não dava certo, eu não me sentia feliz.  Eu sou mulher e gosto de mulher. (Em uma outra conversa com uma amiga)
Mas mudou muita coisa depois que eu me assumi: eu pude ter razões para idealizar um futuro ao lado de um companheiro, eu pude descobrir o sexo, eu pude começar a não esconder meus gostos, eu pude deixar de lado o receio em ser o que eu sou. Mas principalmente: eu pude militar na causa, da minha, maneira, mas pude, e ainda posso. E essa minha maneira de militar é a minha literatura. Como “escritor” fui um dos selecionados para compor uma coletânea de contos homoafetivos em 2009, que fora publicado na Bienal do livro de São Paulo. E ainda, o fato de eu tencionar às vezes o amor homossexual em meus contos e poemas é a minha forma de militância: 

Lesmas.
Lesmas bailarinas aquelas que escorregavam pelo meu pau já duro.
Lesmas e gosmas, gosmas misturadas. Leite e sal.
Lesmas que valsavam ao ver aquele putinho de cachecol na esquina da avenida Roraima
Somente lesmas, apenas lesmas.
E as gosmas a se misturar, e o cheiro a se confundir.
E um dia, as gosmas eram quatro.
As minhas e as dele.
Não do putinho com cachecol, mas do moço da loja.
E eu percebi que as gosmas eram tão parecidas.
Que as gosmas leitosas, esbranquiçadas- eram gosmas de amor?
E as lesmas valsam, valsam e nada se entende disso a que chamam de amor.
Lesmas. 
(Felipe Freitag)

09 agosto 2012

Onde está a homofobia?

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Dieison Marconi
        
         O que é que não temos de aguentar em uma revista eletrônica pra ver uma matéria  que queremos muito, em?! No último domingo, o programa que alcunha-se de Show da Vida (leia-se Fantástico)  nos roubou um precioso tempo falando na possível  existência  de fantasmas e de lugares  mal assombrados. Interessantíssimo, não é?!  Mas a matéria  de meu real interesse era sobre número de vítimas de homofobia no Brasil segundo o relatório da Secretaria dos Direitos Humanos. O relatório da SDH foi elaborado a partir das denúncias do disque 100 e mostrou uma paisagem empiricamente conhecida por nós homossexuais, mas provavelmente desconhecida para a maioria dos heterossexuais.  Esta paisagem homofóbica brasileira, segundo a matéria com base nos dados, é alimentada principalmente pela família ao discriminar e promover a violência física e psicológica contra seus membros homossexuais. Das quase sete mil denúncias de agressões analisadas, 42% aconteceram em casa e 30,8% aconteceram na rua. No entanto, como este número é um resultado das denúncias feitas ao disque 100, e levando em consideração os vários casos que podem não ter sido denunciados, acredito que este número de violência de caráter homofóbico,  em casa ou na rua,  seja  muito maior.
          
O que eu achei da matéria? Gostei. Foi uma ótima ideia o Fantástico ter colocado uma jornalista cadeirante para trabalhar com esta pauta, os depoimentos são tristes e desconfortáveis, e mesmo que às escuras, conseguiram transmitir uma mensagem clara de que a homofobia não se qualifica somente como um assassinato motivado por discriminação da diversidade de orientações sexuais, repudio ou ódio a comunidade LGBT, mas  também como um terrível sofrimento psicológico. Que a homofobia existe ao ponto de uma entrevistada dizer que em sua casa, ela tem apenas inimigos, e a única coisa que pede a eles, é respeito. Que a homofobia, ao contrário dos que alguns dizem, existe sim, tanto que atinge não somente aos gays, travestis, lésbicas, bissexuais e transexuais, mas aquele pai e aquele filho confundidos com um casal gay, aqueles dois irmãos heterossexuais que andam abraçados na rua e um deles é barbaramente assassinado. 
           
Ressalto somente  que foi uma pena a matéria não ter tocado em um dado importante do relatório: é na infância que a maioria dos homossexuais já começam a sofrer a injúria e a violência homofóbica, seja por parte dos pais, dos irmãos, dos tios, dos avós, etc.  Tal dado me fez lembrar a fala de Osvaldo Bazán, jornalista e escritor argentino, num discurso pronunciado na Câmara dos Deputados durante o debate da lei de matrimônio igualitário nas comissões legislativas: “a criança judia sofre a estupidez do mundo, volta para casa e lá seus pais judeus lhe dizem: ‘estúpido é o mundo, não você’. E lhe dizem por que essa noite não é como todas as noites, e contam para ele a história daquela vez em que tiveram que sair correndo e o pão não levaram. Dão-lhe uma lista de valores e falam: ‘Você está parado aqui’. E saberá a criança judia que não está sozinha. A criança negra sofre a estupidez do mundo, volta para casa e lá seus pais negros lhe dizem: ‘estúpido é o mundo, não você’. E lhe falam do berço da humanidade, de um barco, de uma guerra. Dão-lhe uma lista de valores e falam: ‘Você está parado aqui’. E saberá a criança negra que não está sozinha. A criança homossexual sofre a estupidez do mundo e nem pensa em falar com os pais, porque supõe que eles vão ficar chateados. Não sabe por quê, mas eles vão se chatear. E para seus pais, o pior é crer que seu filho não é como eles (…). A criança homossexual, só por ter nascido homossexual, só por ter sido parida em território inimigo, está em guerra com a religião, com a ciência e com o Estado. Como poderá uma criança enfrentar uma luta tão desigual?”.  (Não preciso nem falar que no quesito de validação dos direitos LGBTS, a Argentina está bem a nossa frente, os representantes políticos tupiniquins teriam muito a aprender com nossos hermanos)         
           
No relatório, também fiquei um tanto surpreso quando vi que as mães tendem a ser os entes familiares mais homofóbicos, que atitudes como a agressão física ou psicológica e expulsar o filho ou a filha de casa, partem, na maioria das vezes, delas: 9,5 % das agressões foram praticadass por mães, enquanto 4,8 % foram praticas pelos pais.
            
A matéria do Fantástico veio em boa hora? Veio.  É ótima a divulgação desse relatório? Sim, é ótima. Mas seria melhor ainda se não ficasse apenas na divulgação.  Precisamos de políticas públicas efetivas por parte do governo federal, pois até agora, NÃO HÁ NADA. Alias, se uma mísera e simples tentativa de conter o bullying  homofóbico nas escolas foi vetado, ou mesmo uma simples campanha de prevenção contra o vírus do HIV entre os gays por estes serem os mais contaminados também foi  vetada, o que dizer então da PL122 que visa criminalizar a homofobia?
           
Não posso deixar de falar das criticas que a reportagem do Fantástico recebeu  dos cristãos antes e depois de sua exibição. Tais criticas não exigiam nada mais, nada menos que o “Show na Vida” fizesse uma reportagem sobre a cristãofobia. Isso mesmo! Cristãos que são mortos, agredidos, ofendidos, expulsos de casa, que tem de travar uma guerra para adotar crianças e casar no estado civil, eles que são rejeitados, perdem o emprego e tem seu psicológico abalado somente por  serem  ....somente por serem cristãos.  
       
Na verdade, sugeriria ao Fantástico que fizesse  uma nova matéria sobre cristianismo sexofóbico, sobre o bolorento e hediondo armário que boa parte dos cristãos insistem em permanecer enquanto vergonhosamente desrespeitam direitos humanos e cidadãos, enquanto insistem em um ódio gratuito para com nós, LGBTS. Sim, estes cristãos que  pregam apenas o amor de cristo.

31 julho 2012

Gays na política

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Ano de eleição e sempre fico feliz ao saber que cada vez mais homossexuais estão entrando na política e abrindo caminhos para que se possam diminuir tantos preconceitos, e lutar por maiores igualdades. No entanto, estamos no Brasil, um lugar onde política é motivo de palhaçadas, e nem estou pensando no Tiririca ou no Bolsonaro com suas insanidades. Estou falando dos gays sem noção e capacidade alguma para ocupar cargos públicos. Quer prova disso? Olha quem vai concorrer para vereador de São Paulo esse ano... 
Serginho ex BBB e pseudo famoso em decadência bateu a cabeça e resolveu entrar na política. Isso me da medo, por que tem muitas pessoas que na hora de votar não tem consciência e acham bonito votar em pessoas despreparadas  por que simplesmente querem ver o circo pegar fogo, já que são desesperançosos de uma mudança efetiva, não por menos o Tiririca semi analfabeto foi eleito como um dos deputados federais mais votados. Essas pessoas, como Tiririca ou como o Serginho provavelmente vai ser, são marionetes de alguns partidos que usam essas figuras públicas para conseguir chegar ao poder. Mas o que esperar de pessoas despreparadas, posso ser preconceituoso, mas creio que no mínimo para exercer um cargo tão importante você tem que tem um bom conhecimento sobre política, gestão pública, finanças e um bom conhecimento social. Tenho certeza que  o Serginho vai ganhar muito mais votos do que um gay sério e preocupado com causas sérias. 

26 julho 2012

Prazer, transformista

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Dieison Marconi

Dei sim, dei tudo só pra ele. Hoje, por grana, pra todos. Não roubo, não mato. Mesmo assim me pergunto se não faço algo de errado." (Francisco Alvim)  
Michês?  Amantes anônimos?  Transformistas? Prostitutos ou homossexuais a procura de sexo fácil em uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul?  Em Frederico Westphalen, região do Médio Alto Uruguai, todos já ouviram falar das “bichas do centro” diz um menino sentado em minha frente, falando e rindo  para  um gravador,  mas que prefere ser chamado de Vitória quando sai nas  noites frederiquenses pra conseguir sexo.  Além dele, há outros, entre adolescentes e adultos, que costumam  fazer o mesmo:  travestidos de mulher, saem batendo salto alto atrás de uma companhia  pra noite, ou somente pra transar, pra conseguir dinheiro, ou  tudo ao mesmo tempo, pois segundo eles, é difícil para um gay  conseguir sexo em uma cidade pequena e interiorana como Frederico Westphalen, e assim,  recorrem  a prostituição para suprir esse desejo.
Saem em  dupla, em grupo ou raramente sozinhos, principalmente nas sextas, sábados e quando há alguma festa que provoque um grande movimento na cidade.  Saem sempre por volta das 12:00  da  noite, primeiro no centro, na Rua do Comércio. Após isso, vão para as esquinas ou para os locais onde há mais movimento devido as festas,  sempre procurando ficar mais visível  aos clientes, pra que estes possam chegar até eles sem serem notados por outras pessoas. O preço do programa varia: da mesma forma como podem conseguir 120 reais em uma noite com um único cliente, podem fazer de graça: basta o cliente ser bonito.

Fazemos programa mais pra dar um ar de mulher, né. Não por “precisão. Mais por boa vontade” (Kelli, 22 anos) 
Não se dizem profissionais do sexo e não saem todos os finais de semana.  Alguns fazem por dinheiro só quando precisam, quando julgam o cliente  feio ou  quando o mesmo tem a idade um pouco ultrapassada. Além disso, boa parte deles costumam trabalhar durante o dia em bares, lojas, restaurantes, como atendentes e garçons: o programa é pra conseguir prazer e sexo.  Muitos começaram a prostituir-se ainda na menor idade, geralmente influenciados por outros que já faziam programa.  Segundo Vitória, Lety foi o primeiro gay assumido e o primeiro transformista na cidade. Foi ele quem ensinou os outros gays a se prostituirem, no fim, todo mundo gostou,  e  criou-se o grupo.
Foi Lety também que batizou seus pupilos com nomes femininos: Vitória, Kelly Gisele, Samanta, Tina, Tainá.   Durante a noite, enquanto  estão tentando programa, atendem  apenas por estes nomes. Dizem não fazer programa com outros gays e nas relações sexuais são sempre passivos, a não ser que e o programa seja por dinheiro. Além do nome, travestir-se de mulher é importante pra  conseguir o programa de cada noite, pois os  clientes preferem assim: eles caem em uma fantasia tanto por parte dos clientes, que dizem ser “heterossexuais”, mas que gostam de transar com homens,  principalmente se estes estiverem vestidos de mulher, assim como por parte de  Kelli, por exemplo, que se  diz mulher usando roupas femininas, mas que não mudaria de sexo.  Já Gisele, um dos meninos mais novos do grupo, não queria nem  ter nascido homem. 

Por dinheiro eu acabo sendo ativa né, fazer o quê! Eles querem tudo da gente.” (Vitória, 16 anos.)
  A mãe de Vitória  sabe que ele se prostitui.  Os colegas da escola sabem apenas que ele é gay. Mas pra mãe, ele já contou algumas vezes que conseguiu dinheiro dessa forma, embora ela não goste.  O Pai de Gisele também sabe que ele faz programas, mas evitam conversar sobre isso.  Já Kelli, o mais velho, seus pais sabem e não veem nenhum problema nisso. Kelli diz que fez fama: todos sabem que ele faz programa, inclusive alguns chefes dos locais onde trabalhou.  Vai em lojas e compra roupas femininas, sapatos, maquiagem, bolsas e as vendedoras são suas amigas, sabem o que ele faz.   
Já Eduard não se prostitui como seus colegas, pelo contrário: apesar de não recriminar quem o faça, como opção individual abomina a prostituição. Veste-se de mulher apenas pra conquistar os homens e conseguir sexo, mas sem prostituir-se: “Eu detesto essa condição. Essa é uma condição que faço pra poder atrair os homens heterossexuais, o perfil de homem pelo qual eu sinto uma atração fatal.”  O perfil destes homens varia: de jovens a adultos, de solteiros a casados.

Assim, num jogo de sedução e prostituição feito pelas ruas de uma cidade interiorana, conservadora e católica, Gisele, Eduard, Kelli, Vitória são homens e meninos que se metamorfoseiam a partir da meia noite, “transforma-se” em mulheres por motivos diferentes e estão mergulhados em uma confusão ideológica do que é ou não ser gay, de desejos de se transformar em mulher, mas não abrir mão de ser homem, ou de ser homem, mas querer ser uma mulher, ou ainda: de travestir-se de mulher e ao mesmo tempo detestar isso.   

A vida me ensinou que se os homens não vem atrás da gente, a gente tem que ir atrás deles"  (Gisele) 

*Um dos textos (texto de apresentação) que fiz para uma reportagem multimídia sobre prostituição masculina com suas particularidades do interior.

19 julho 2012

Amor, sexo e cinema

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Dieison Marconi
O Dia dos namorados já passou e o Dia do sexo ( data esta em  que uns comemoram, outros questionam e outros choram)  ainda está por vir, mesmo assim, a coluna de hoje vai tratar de cenas de amor homoafetivo no cinema mundial. Perambulando pelo meu Filmow, ao ver vários filmes com temática homossexual (ou não) e que em meio a trama lançavam mão de algumas cenas quentes, tórridas, românticas e sensuais, resolvi fazer da coluna de hoje uma lista com minhas cenas homoafetivas favoritas, sem pretensão de criar um lista como aquelas de “as cinco melhores cenas gays do cinema", pois não tenho tarimba pra isso e nem assisti a todos os filmes do gênero já lançados ou que simplesmente tenham uma ou outra cena que possa se enquadrar aqui. São oito cenas bem curtas, mas que variam entre o cinema espanhol, norte americano, francês, alemão e brasileiro. E são ótimas cenas!

A primeira cena trago mais pela importância do que pelo favoritismo. Ela data de 1927, está em preto e branco, é cinema mudo e nela está o primeiro beijo homossexual exibido na história do cinema. A cena é do filme Wings, no qual dois pilotos de combate  (interpretados por Buddy Rogers e Richard Allen) se acariciam e se beijam timidamente.  É uma cena que não esbanja tesão e sensualidade, mesmo assim, é um beijo em preto e branco que começaria a tirar a homossexualidade do gueto ainda  nos anos 20. Quando vi este filme, lembrei de mim lá em 2006, com 14 anos de idade, assistindo ao  Brokback Mountain e achando  tudo tão inovador (risos), sem saber que Broakbeck Mountain, de certa forma, já estava em Wings. Este filme foi o primeiro longa do cinema mudo ao receber o Oscar de melhor filme. Eis a cena do beijo:

Se o primeiro beijo entre dois homens acorreu em 1927, o primeiro beijo entre duas mulheres foi acontecer em 1931, no filme Machen in Uniform, e foi entre uma professora e uma aluna de 14 anos de idade. Mas foi, também, um beijo super tímido!  Foi o cinema  que  trouxe os primeiros “romances homossexuais" para as telas, antes mesmo da TV, já que nesta, o primeiro beijo entre gays foi acontecer apenas em 1960. Há também uma diferença um certa distância temporal entre o primeiro beijo e o primeiro beijo gay exibido no cinema, já que o primeiro data de 1896.  Veja a cena de Machen in Uniform abaixo. (Vale lembrar que este filme foi refilmado em 1958).

A próxima cena, é sem dúvida, umas das minhas preferidas, por três motivos: gosto do cinema francês, esta cena tem ótima fotografia, trilha sonora e atuação, e claro, a androginia do Louis Garrel. Poético e delicado, Les chansons de amour (As canções de amor, 2007) musical francês de Cristophe Honoré, substitui muitos dos diálogos por canções, o que me dá uma imensa vontade de ter o Garrel cantando Ma memórie sale ao pé do meu ouvido, como na cena a abaixo, na qual  Samuel (Louis Garrel) finalmente deixa-se levar pelo desejo de  Erwann (Grégorie Leprince).
Outra cena que não consigo apagar da minha memória cinematográfica é a do filme J’ai tué a me mère ( Eu matei minha mãe, 2009) com direção e atuação de Xavier Dolan.  A cena em questão, é uma explosão de cores. Notavelmente inspirada na arte de Jackson Pollok,  Hubert (Xavier Dolan) e Antonin ( Françóis Arnould) começam a pintar uma parede, e entre tintas e jornais, terminam em uma quente cena de amor.

Mais quente que a artística cena de amor entre Xavier Dolan e François Arnould, só mesmo a transa entre Ninna (Natalie Portman ) e Lilly ( Mila Kunis) em Cisne Negro (2010). Pra quem já viu o filme, uma cena tão quente quanto louca, e loucamente bem interpretada por ambas as atrizes. Não é a toa que Natalie levou o Oscar de melhor atriz pelo longa. 

A próxima cena, mais uma vez, não é uma cena de sexo, mas eu não tinha como deixar de fora a atuação de Heatch Ledger e Jake Gyllenhaal neste beijo desesperador. Não há como negar que O Segredo de Brokeback Mountain, é sem duvida, um dos melhores filmes já feitos abordando relações homossexuais, com roteiro, direção, fotografia e atuações incríveis. E O Heatch Ledger?! Ah o Heatch Ledger...
Obvio que não podia faltar uma cena de algum filme de Almodóvar, o problema é que NÃO é fácil escolher uma cena homoafetiva em um filme do cineasta espanhol, já que todos são repletos de cenas do gênero. Abaixo eu exibo a sensual cena da piscina no polêmico Má Educação (2004).  
Por fim, o Diabo rouba a cena, pois pra fechar a lista, não podia faltar uma cena homoafetiva do cinema brasileiro. Eis que surge, aí o biográfico Madame Satã (2002), gloriosamente atuado por Lázaro Ramos como protagonista ao interpretar João Francisco dos Santos Sant’ana, malandro, homossexual, transformista brasileiro. Madame Satã faz parte daquele seleto grupo de filmes brasileiros que merecem ser assistidos, lapidados, degustados.  Eis a cena, que é sim, de tirar o fôlego, excelentes atuações.   
Sinto que eu deixei muitos filmes e cenas de fora, só de Almodôvar teriam muitos outras, inúmeras cenas a cada filme. Faltou  também, por exemplo, o dançante final de Beautiful Thing, a descoberta do beijo  em Eu não quero voltar sozinho,  as picantes cenas da Penélope Cruz e  Charlize Theron em Três vidas e um destino,  Sheron Stone e Jeanne Tripplehom em Instito Selvagem e tantas outras cenas.  Quem sabe, em outro post, eu faça uma segunda lista.

Deixo o link para uma lista interessante (que não é minha) das melhores cenas lésbicas do cinema: http://letral.com/artigos/5-melhores-cenas-lesbicas-cinema



12 julho 2012

Maria nem sempre vai com as outras!

13 comentários
Dieison Marconi
         Sempre imaginei que há cristãos que remam contra a maré e não partilham do mesmo ideal de fieis que pregam o amor de um Deus, e em contrapartida, condenam toda a comunidade LGBT por um comportamento avesso a heteronormatividade, desencadeando assim, reações de ódio e  intolerância contra os mesmos, seja no púlpito de suas igrejas, seja fazendo uso de um sistema democrático para “legislar” contra o pluralismo, ou ninguém aí ouviu falar do projeto Cura Gay? 
        O cristianismo sempre foi sexofóbico: um homem e uma mulher não podem fazer sexo por prazer, mas sim para procriar, assegurar a existência da espécie. Quero saber quantos pastores evangélicos pensam o mesmo quando estão na cama com suas esposas.  Por que não usar preservativo na relação sexual? Por que sexo apenas para procriar e não pelo prazer? Por que essa dominação do corpo de homens e mulheres? Por que essas regras de como devem se comportar? Michel Foucault, meu queridinho das aulas de Comunicação e Pensamento Contemporâneo já dizia: “nada é mais físico, nada é mais corporal do que o exercício do poder (..) antes de colocar a questão como da ideologia, não seria mais materialista estudar  a questão do corpo, dos efeitos de poder sobre ele?!" 
         Agora, se um homem e uma mulher em uma relação sexual ( que pode gerar filhos) não podem transar por prazer, oh meu Deus, e dois homens ou duas mulheres, então? Lugarzinho certo e bem merecido no inferno! Não meus  caros, nem todos os cristãos pensam assim! E no vídeo abaixo, apresento-lhes o pastor evangélico Alexandre Marcos Cabral. O discurso de Cabral me deixa alegre  sim, pois são palavras que defendem a naturalização da homossexualidade, e que dessa vez, não partem de nós LGBTs, mas sim do meio cristão, quando muitos destes, nos julgam imorais, sujos e indignos. Prestem atenção nesses dois trechinhos da entrevista que ele cedeu ao Conexão Jornalismo:
Sobre o projeto Cura Gay proposto pela Bancada Evangélica 
“Não consigo entender como uma pessoa consegue ler a bíblia, falar que tem uma fé profunda em cristo e ao mesmo tempo ela consegue dizimar, perseguir filhos, parentes, amigos, por causa dessa condição sexual que é avessa à sua e legitimar isso em nome desse Cristo que nem tocou nesta questão e, pior ainda, toda a moralidade dele ta baseada, justamente, não na tolerância – porque a tolerância é um ódio bem administrado – mas no respeito e numa valorização da diferença.”
O que ele diz sobre a  Bíblia, seus dogmas e conceitos 
 “A bíblia manda matar o homem que não tem barca, pessoas que comem crustáceos, as mulheres que ficam menstruadas devem ficar em casa o dia inteiro até 7 horas da noite, se tocarem na parede, mais 7 dias... Tudo isso tá na bíblia, por que as pessoas não seguem? Eu não vejo nenhuma mulher trancada em casa porque está menstruada e não me consta que nenhum pastor faça isso com suas mulheres e deixem de raspar a barba porque leem esses textos, e esses textos, por sinal, estão ao lado do texto que fala contra a relação entre homossexualidade e idolatria.  
Se a gente for levar ao pé da letra, então ta na hora da gente dizimar metade dos homens da humanidade porque fazem a barba e mais ainda uma grande parcela da humanidade porque comem crustáceos.
Vejam o vídeo da entrevista, que tem  apenas 12 minutos. 


18 junho 2012

Meninos de Rosa, Meninas de Azul

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Outro dia estava olhando o blog do Alexandre (Do Avesso) e vi esse documentário, Meninos de Rosa, Meninas de Azul. Achei ele muito bom, e por isso resolvi compartilhar aqui no blog.

17 maio 2012

Meu tempo não parou: amor em tempos de Aids

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Dieison Marconi

Um ex ativista gay, dois empresários de casas noturnas, duas travestis e uma mulher. Seis histórias com muitos pontos em comum: a cena e o comportamento gay em Porto Alegre durante as décadas de 70, 80 e 90. A pegação, as casas noturnas, as amizades, o sexo, o preconceito, a chegada da AIDS, um tempo que ainda não parou. Meu tempo não parou: amor em tempo de Aids é daqueles documentários que você senta pra ver e acaba sendo conduzindo a uma narrativa que oscila entre a ratificação de que não se deve envergonhar de suas verdadeiras cores e ao mesmo tempo, como pessoas sem medo de viver o que eram, foram marginalizadas e mortas pela desinformação, pelo preconceito e pelo HIV.  

Hoje,  17 de maio, o Dia Internacional da Luta contra a Homofobia é lembrado como o marco em que a Organização Mundial, em 1990, retirou o termo “homossexualismo” da Classificação Internacional de Doenças (CID), reconhecendo que “a homossexualidade é um estado mental tão saudável quanto a heterossexualidade”.  Meu tempo não parou se localiza justamente pouco antes desse avanço, especificamente em Porto Alegre. Marcely Malta, Dilnei Messias, Dheyser Veiga, Veruska, Bento Rocha, Edna Keitel e Gerson Winkler são as personagens desta história. Por vezes, as entrevistas intercaladas uma a outra podem tornar-se cansativas, no entanto, o enquadramento do filme (em grande maioria closes e primeiro plano), evidenciam um emocional, um íntimo dos entrevistados que vão desde as locações que se deram em lugares afetivos para os personagens-sociais, como por exemplo, o Parque da Redenção, a casa noturna Flowers, o teatro, suas próprias casas, bem como as palavras e as histórias do que cada um  fez, viu e sentiu durante algumas décadas coloridas e arrasadas.

Entre os entrevistados no documentário, surge uma foto da época que ganha status de personagem. Nela há a visão mais fiel  do vírus do HIV como uma praga gay:  um homossexual  vitimado pela AIDS é carregado em uma maca por um grupo de médicos que portam máscaras, luvas, botas, capas e outras formas de proteção. Pânico e desinformação geral. Como funcionavam as casas gays em Porto Alegre? Como estas sobreviviam ao conservadorismo e ao período ditatorial? Como sair na rua como travesti na época? Onde e como transar com seu parceir@? Como era ver seus amigos de livre e espontânea vontade se sujeitando a métodos médicos que prometiam a cura da homossexualidade? Como era ver amigos e familiares morrendo devido a AIDS sem saber realmente, o que isso era, mas que mesmo assim, dizia-se (revista Veja na Época) que era uma praga gay?  
Tudo se embaraça como lembrança e reflexão em um documentário que dura pouco mais de meia hora, mas que nos mostra, que apesar de todos os problemas que gays, lésbicas, travestis, transformistas, transexuais e todas as facetas da diversidade sexual humana ainda enfrentam, evoluímos muito.  É fato que ainda há muito por mudar, mas evoluímos. O que parece ser realmente o mesmo daquela época para agora, é  que vivenciar sua própria sexualidade marginalizada, é felicidade enobrecida.    

Fica a sugestão pra quem se interessou: Meu tempo não parou- Direção Sílvio Barbizan e  Jair Giacomini- (Nuances-2008)

07 maio 2012

O que estamos assistindo na televisão?

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      Há valores culturais dominantes em cada época e um sistema de exclusões muitas vezes baseado em preconceitos estigmatizantes. Tudo o que se situa fora dos estereótipos resta por ser rotulado de “anormal”, ou seja, fora da normalidade, que não se encaixa nos padrões. São, em regra, questões de lenta maturação, alvo de uma visão polarizada extremamente limitante.
      Com a transformação dos costumes e a mudança dos valores e dos conceitos de moral e de pudor, os temas referentes à sexualidade deixaram de ser “assunto proibido” e hoje são enfrentados abertamente, sendo retratados no cinema, nas novelas, na mídia em geral. Porém, o que percebemos é que na maioria dos meios midiáticos (aqui me baseio nos brasileiros), em especial a televisão aberta, a sexualidade homoafetiva é permeada de estereótipos e preconceitos. Utilizando uma fala de Maria Celeste Mira “Quando se trata de meios mais populares, como a televisão aberta, em geral dirigida a  pessoas de pouca escolaridade, ou de pouco capital cultural [...] as representações de gênero são bastante tradicionais ou conservadoras. Homossexualidade, na maioria das vezes, é motivo de piada ou de curiosidade. A “bicha” é uma figura quase indispensável  num programa humorístico [...] Nas novelas, o homossexual tem aparecido, mas sempre como tema secundário [...]”
      Essa é uma questão que me preocupa muito, principalmente quando vejo homossexuais dando risada das piadas feitas com gays em programas como o “Zorra Total” que se iguala a um BBB em aproveitamento cultural ou social. Muitos me criticam quando eu fico batendo nessa tecla da importância do cultural para a nossa vida, dizem que precisamos ter um momento de distração e humor. É CLARO QUE PRECISAMOS, mas quem disse que o humor não pode ser inteligente?
      Ser gay, e assistir um programa que nos ridiculariza diariamente só pode ser burrice. E a Rede Globo provou mais uma vez que os seus telespectadores são compostos em grande maioria por pessoas desprovidas de intelectualidade, visto que o seriado Glee em sua segunda temporada, na qual aborda questões como bullying, homofobia, religião, entre tantos outros assuntos polêmicos, está sendo transmitido na madrugada..
      Pode realmente ser que os seus telespectadores não estão preparados para essas cenas e assuntos tão polêmicos, mas a Globo tem a oportunidade de mostrar o quanto tudo isso é normal, por que nada melhor do que a abordagem moderada e cuidadosa de Glee para acabar com diversos estereótipos. Porém, mais uma vez a televisão não está exercendo um dos seus papeis sociais, que é a democratização no espaço televisivo, já que essa democratização no espaço público está longe de ocorrer.

Abraços, volto na quarta!!!

23 abril 2012

Entendendo a união civil por Maria Berenice Dias

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Esse é um assunto batido já, mas sempre em conversas com amigos ou lendo alguns blogs percebo que muitos ainda não compreendem muito bem o que seria a união civil. Por isso trouxe essa explicação da Maria Berenice Dias.

Na vã tentativa de varrer para baixo do tapete os homossexuais e seus vínculos  afetivos,  a  Constituição  Federal  admite  a  conversão em  casamento  somente  à  união estável  entre um homem e uma mulher.      Diante  da  total  omissão  do  legislador,  que  insiste  em  não  aprovar  qualquer  lei  que assegure direitos à população LGBT,  o jeito foi socorrer-se da justiça.
 Assim,  há  uma  década  o  Poder  Judiciário,  ao  reconhecer  que  a  falta  de  lei  não  quer  dizer  ausência  de  direito,  passou  a  admitir  a  possibilidade  de  os  vínculos  afetivos,  independente  da  identidade  sexual  do  par. No  começo  o  relacionamento era identificado como mera sociedade de fato, como se os parceiros fossem  sócios.  Quando  da  dissolução  da  sociedade,  pela  separação  ou  em  decorrência  da  morte,  dividiam-se  lucros.  Ou  seja,  os  bens  adquiridos  durante  o  período  de  convivência  eram  partilhados, mediante a prova da participação de cada um na constituição do “capital social”.  Nada mais.  Como  não  havia  o  reconhecimento  de  direitos sucessórios, quando do falecimento de um do  par o outro restava  sem nada, sendo  muitas  vezes  expulso  do  lar  comum  por  parentes  distantes  que  acabavam  titulares  da  integralidade do patrimônio.  
Agora  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  admite  que  os  noivos,  mesmo sendo do mesmo sexo, podem requerer a  habilitação para o casamento  diretamente  junto  ao  Registro  Civil,  sem  precisar  antes  comprovar  a  união  para  depois  transformá-la em  casamento. Ou seja, a justiça passou a admitir casamento sem escala e nenhum juiz pode negar seu reconhecimento.
 Só  se  espera  que,  diante  de  todos  esses  avanços,  o  legislador  abandone  sua  postura omissiva e preconceituosa e aprove o Estatuto  da Diversidade Sexual, projeto de lei  elaborado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que  traz o reconhecimento de todos os  direitos à comunidade LGBT e seus vínculos afetivos. Com certeza é o passo que falta  para eliminar de vez com a homofobia, garantir o direito à igualdade e consagrar o respeito à dignidade, independente da orientação sexual ou identidade de gênero".  

19 abril 2012

Tarefa escolar: pra não dizer que não falei de diversidade sexual

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Dieison Marconi 
@Dieimarconi

Ensino médio. Conversas durante intervalo, corredor tumultuado. Acho que eles se encontraram Lendo Nietzsche. Um em cada banco, depois de um lanche seco no refeitório onde não haviam se cruzado. Olharam um para a capa do livro do outro e riram, pela coincidência. Eu que também lia livros, talvez estivesse deixando de acreditar que iria encontrar alguém lendo Nietzsche, e assim, não iria poder dizer: foi Nietzsche que nos uniu.  Mas o que iria dizer mesmo, é que senti uma ponta de inveja ao ver aqueles dois meninos iniciando uma espécie de namoro, de se encontrarem pela capa do livro como dois pássaros que encontram o mesmo ninho e resolvem dividi-lo para o bem dos dois, um contrato social via capa de livro.”  

     A pequena narração acima é crônica. Crônica em um sentido um tanto doentio da palavra, já que em uma escola e principalmente em uma sociedade que se diz gozar de modernidade e ideias a frente de seu tempo, aqueles que partilham de uma vivência da sexualidade que não se enquadra no rótulo heteronormativo, no mínimo, são considerados doentes. É doente também, e esta doença não se restringe somente a opiniões pessoais e preconceituosas, mas sim a uma inaceitável negação aos direitos humanos de que toda e qualquer pessoa, independente de seu credo, cor, classe, etnia e orientação sexual merece dignidade, segurança e respeito.  Para lembrar que direitos humanos ainda existem, quanto ainda será necessário ratificar que a adolescência é uma idade de descoberta e que nisto, a sexualidade implica naturalmente em orientações diferentes, seja ela bissexual, homossexual e  heterossexual? Quanto ainda será necessário também, listar mais e mais casos de jovens e adolescentes que sofreram alguma forma de repressão dos colegas devido a sua orientação sexual, e que isso, resulta em mortes   ou  causa transtorno ao adolescente e a toda família ?!
   Tais casos tem sido noticiados a exaustão e nada  ou muito pouco se tem feito para o reparo da homofobia nas escolas, pois por mais que entidades defensoras dos direitos LGBTS tem  lutado fortemente pelos mesmos, temos pouca representatividade no governo e temos um governo que não perece tão preocupado com questões referentes a  homofobia.
        Quantos jovens, meninos ou meninas durante sua vida escolar podem dizer-se homossexuais e sentir-se homossexuais com todo o direito a sê-lo sem sofrer represálias ou discriminações? Tanto se tem gastado e abusado do termo bullying, mas na prática, o que realmente tem sido feito para debela-lo e promover o respeito a diversidade sexual no âmbito escolar? O que tem se visto, são retrocessos que apenas subjugam adolescentes homossexuais a uma total insegurança e hostilidade: câmera no Rio de Janeiro tenta aprovar projeto que proíbe material didático que trabalhe diversidade sexual nas escolas, veto ao kit anti-homofobia, veto ao vídeo educativo voltado ao publico homossexual no carnaval, bancada evangélica encampa projeto cura gay, entre tantos outros atos e discursos homofóbicos abastecidos por ideias extremistas e religiosas que ignoram qualquer menção de direitos humanos.
               Ainda assim, quanto ao combate a homofobia nas escolas,  é e será necessário perguntar a nossa presidenta Dilma Rousseff, se combater a homofobia não significa reconhecer que qualquer orientação sexual não heteronormativa  é tão digna de respeito quanto a heterossexualidade? Lembrar, também que, quando a mesma afirma que o seu governo “combate a homofobia, mas não propagandeia qualquer opção sexual”, parece que nos diz que  a homossexualidade é uma espécie de defeito ou algo vergonhoso e que não há nada de positivo na mesma. E tal como outros “deficientes”, gays devem ter seu “problema” tolerado. Diante de tal afirmação, a figura de guerrilheira e presa política da Dilma de outrora, já não lhe cai tão bem: o governo desta é subserviente aos evangélicos, como se repetisse o discurso nauseante de pastores ou padres: o pecador deve ser amado, mas não o seu pecado, ou seja, gays podem ser acolhidos, mas não a sua homossexualidade.  
    Quantos alunos de 16 anos no ensino médio, independente de ser homossexual ou heterossexual terá senso crítico  o suficiente para perceber que um não deve sentir-se  humilhado pelo que se é e que o segundo não deve reprimir o primeiro devido a uma diferença que até então foi marginalizada por um seio  social preconceituoso? Quantos alunos podem chegar em casa sem culpa alguma de sentir atração pel@ colega do mesmo sexo e até introduzir na família, uma maior consciência, respeito e tolerância com a diversidade sexual? E não é função da escola formar não apenas alunos, mas sim alunos com consciência crítica frente às realidades da quais comunga? Ao não permitir uma educação sobre diversidade sexual da escola, sendo ela necessária para formação de uma sociedade justa e equilibrada, onde a lecionarão então? Na rua que não vai ser, pois é justamente devido a esse déficit educacional que rua é lugar de homofobia escancarada, agressão e espancamento.  

PS: A próxima coluna vai unir duas coisas muito boas! Homem e Música Popular Brasileira. Até lá.  

12 abril 2012

Pra não voltar e nem ficar sozinho

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       Resolvi que minha primeira coluna aqui no Para Lady's  iria abusar de uma vertente cinematográfica que já é bem explorada nestas páginas: cinema de cunho homossexual.  E para este post cinematográfico extrapolar barreiras de épocas e culturas diferentes, trago dois filmes que surpreendem pela maneira como tratam a descoberta sexual, a qual, pelo viés de uma linda naturalidade, rompem com padrões heteronormativos. Um é o longa Você não está sozinho, charmoso e singelo filme  dinamarquês de 1978, que ao narrar o envolvimento amoroso  entre dois meninos bate de frente com alguns tabus da época. O outro, é o doce curta metragem tupiniquim Eu não quero voltar sozinho, lançado em 2010 e produzido por Daniel Ribeiro, mesmo diretor do curta Café com leite.
           Não são apenas os títulos de ambos os filmes que são semelhantes: no fundo, nenhum dos personagens principais querem ficar só. Em Você não está sozinho, ao explorar a descoberta sexual de forma lírica e honesta, o filme ambienta-se em um tempo e espaço mais diverso: as aventuras e desventuras do grupo de meninos que estudam em um colégio interno e que anseiam por experimentar tudo, de sexo à maconha,  álcool e  pornografia. Em meio a isso, Kim é um garoto de 12 anos de idade cujo pai é diretor da escola interna. Lá, ele conhece Bo, três anos mais velho, o qual seduz  Kim e os dois iniciam uma espécie de “namorinho”.  O filme que também faz referências ao movimento hippie e ao charmoso visual fim dos anos 70 com seus rapazes andróginos, sofreu séria censura na época, tendo sua exibição vetada em muitos países, inclusive no Brasil.
           Já o premiadíssimo curta metragem brasileiro Eu não quero voltar sozinho trouxe a mesma temática em 2010 (bons anos de atraso). Mas apesar da semelhança de enredo, o curta de Daniel Ribeiro trás um ponto crucial no discurso da descoberta da sexualidade e principalmente de naturalização da homossexualidade: Léo é um estudante  com deficiência visual que leva uma vida corriqueira na escola,  até  momento da chegada de Gabriel, novo aluno. Léo encontra-se ingenuamente apaixonado pelo novo colega, e aí, uma história doce e apaixonante se desenrola, deixando margem para um ótima pergunta: se Léo e é deficiente visual, como pode ele saber que sente atração por um menino que nunca viu, quando se tem instaurado culturamente um discurso de que ele deve sentir-se atraído por meninas? Por que simplesmente se sente e se é gay. Simples assim.  O time de atores é excelente, a trilha sonora é só poesia e a história é delicadamente linda. Fica a sugestão pra quem ainda não viu, lembrando que o Eu não quero voltar sozinho   está inteiramente disponível no youtube. 

19 março 2012

Pelos mais diversos direitos

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Recente pesquisa do IBOPE revelou que mais da metade dos  entrevistados  se manifestaram contrários     ao   direito    de  homossexuais constituírem uma família.  Não foi revelada – e por certo não foi perguntada – a orientação sexual  dos pesquisados.  Mas caberia. Aliás, a pesquisa, para ter maior legitimidade, deveria   ser   feita   somente   entre   a   população   LGBT.   Afinal, é a ela  que  diz respeito!Qual   a   justificativa   para   perguntar   a   alguém   qual   o   direito   do   outro? Quem   poderia   falar, com  mais   propriedade,   sobre  o   desejo  de   casar,  de  ser professor, médico ou policial?
Talvez  o resultado mais surpreendente seja o  quesito que   identifica  a religião  dos  pesquisados.  Os  mais  intransigentes são os quem  se  dizem evangélico ou  protestante,   seguidos   pelos   católicos   e   os   adeptos   de   outras crenças e credos. De qualquer modo, das religiões que existem, não deve haver nenhuma que não pregue o amor ao próximo. Assim, cabe questionar qual a justificativa de evangélicos, protestastes e católicos  se  posicionarem de  modo  tão assustadoramente preconceituosa contra  quem  tem  orientação sexual diversa da  maioria,  mas   não  significa alguma ameaça e nem causa mal a ninguém.
Afinal, o que querem lésbicas,  gays,  bissexuais,   transexuais e   travestis, são os direitos mais elementares: direito à cidadania, à inclusão social.   Direito de  terem  sua   integridade física  resguardada. Para  isso   é  indispensável a garantia de acesso ao trabalho, para exercerem a profissão que lhes aprouver. Também precisam que lhes seja assegurado o direito de constituírem família, terem filhos. Enfim, nós, como todos as pessoas queremos somente o direito de ser feliz.

Texto adaptado de um artigo de Maria Berenice Dias.

16 janeiro 2012

A Igreja Católica e suas declarações preconceituosas

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Ao ver certas declarações preconceituosas da igreja católica – que, em teoria, deveria espalhar mensagem de amor e compaixão – tenho certeza que ela é uma das maiores responsáveis por impedir que as pessoas abram suas mentes. A última foi a declaração do papa sobre o casamento homossexual:

“O papa Bento XVI disse que o casamento homossexual é uma das várias ameaças atuais à família tradicional, pondo em xeque “o próprio futuro da humanidade”.
Foram as declarações mais fortes já proferidas pelo pontífice contra o casamento homossexual, durante um pronunciamento de ano novo a diplomatas de quase 180 países acreditados no Vaticano, abordando questões econômicas e sociais contemporâneas.
Segundo Bento XVI, a educação das crianças precisa de “ambientes” adequados, e “o lugar de honra cabe à família, baseada no casamento de um homem com uma mulher”.
“Essa não é uma simples convenção social”, disse o papa, “e sim a célula fundamental de cada sociedade. Consequentemente, políticas que afetam a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade”
[..]
“A unidade familiar é fundamental para o processo educacional e para o desenvolvimento dos indivíduos e Estados; daí a necessidade de políticas que promovam a família e auxiliem na coesão social e no diálogo”, disse Bento 16 a diplomatas.

Acho que as pessoas têm direito a ter as opiniões que lhes convém, mas quando se trata de alguém que tem uma influência gigantesca no mundo, a coisa fica mais complicada. Infelizmente, tem gente que não reflete e acaba engolindo tudo que lhes é servido, sem nem mesmo mastigar. É a preguiça de pensar. Porque não importa quais são seus valores, mas, em pleno ano 2012, deixar-se levar pela ideia de que o casamento homossexual pode ser prejudicial para o mundo de alguma fora, é muita inocência. Ou muita falta de reflexão. E de gente assim, o mundo está cheio.
 Ao dizer para o mundo que o casamento gay é uma ameaça a humanidade, o Papa realmente não estava mentindo. Porque a legalização desse ato em diversos países do mundo, prova que finalmente estamos deixando para trás esse pensamento retrógrado que persistia até algum tempo atrás. Ou seja, prova-se que as pessoas hoje têm mais liberdade de escolha e de reflexão, algo que assusta profundamente a igreja. Ora, se as pessoas, pensam, como fazê-las continuar acreditando em diversos outros conceitos controladores disseminados por algumas religiões? Afinal, quem pensa incomoda e não vira massa de manobra

09 janeiro 2012

Liberdade para amar: um direito de todos?

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Somos todos seres únicos. As diferenças entres cada indivíduo certamente passam da casa das centenas, chegando provavelmente aos milhares. A orientação sexual é apenas mais uma delas – o que a torna tão banal quanto as outras. Para algumas pessoas, é impressionantemente difícil entender isso. Religião, costumes, tradições antigas – todos eles contribuem, direta ou indiretamente, para a intolerância, ao fazerem a distinção do certo ou errado. E assim, continuamos vivendo em um mundo reinado pela falta de respeito. 
O argumento dos que se acham superiores o bastante para querer palpitar na orientação sexual do outro, frequentemente giram em torno de justificativas referentes à moral, ao pecado e às regras da natureza. Nenhum deles faz sentido. Não existe nada mais contraditório do que uma religião que pregue o amor ao próximo e que, minutos depois, pregue que o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo seja pecado. A mesma que ensina que não se deve julgar, julga desenfreadamente. E o pior é constatar que pessoas, teoricamente esclarecidas, levam à ferro e fogo qualquer absurdo que seja proferido pela igreja ou por um de seus representantes. 
Infelizmente, uma das formas mais eficientes que temos para lidar com os preconceituosos, é a lei – já que eles, em sua maioria, se recusam a ouvir argumentos e se prendem às mesmas idéias retrógradas que, há tempos, já foram desmistificadas pelo conhecimento. Homofobia tem que ser considerada crime. É o mesmo nível de discriminação do que o racismo, por exemplo. No senado, há um projeto em andamento que considera o preconceito com homossexuais um ato criminoso, que sofre uma forte oposição da bancada evangélica, com o argumento que essa lei feriria a liberdade religiosa e de expressão. Ou seja – discriminar pode. Ferir a liberdade religiosa, jamais. 
Difícil definir qual sentimento sentir em relação aos preconceituosos, aquela parcela desinformada da população que não consegue sentir orgulho da própria condição humana e que jamais vivenciaram o prazer de estar em um ambiente onde cada um é respeitado do jeito que é e tem direito de se manifestar da forma que deseja. Essa sensação, só os que têm cabeça aberta podem viver. O mundo carece muito de amor, por isso, qualquer forma de amor deve ser respeitada. O grande problema está em não amar.
post-gay-11   Gays se casando? Daqui a pouco eles vão ter o direito de votar e de pagar impostos. //  Todas as pessoas não deveriam ter os mesmos direitos?
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