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31 janeiro 2013

Identidades customizadas

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Eu adoro ler a revista Carta Capital, e lendo ela essa semana achei um texto bem legal que vale a pena ser compartilhado aqui no blog. Grifei algumas partes que merecem ser pensadas.

Willian Vieira - Edição 733 de Carta Capital

Espelho, espelho meu.
Quando 24 pessoas subiram ao altar no salão nobre da Faculdade de Direito da USP, em 2011, para celebrar o primeiro casamento homoafetivo coletivo realizado no Brasil após a decisão do STF a favor da união, era quase impossível aplicar rótulos. Casais de mulheres vestidas de noiva dividiam espaço com outras em trajes masculinos e casais de homens de terno, com outros de cauda de noiva. Todos se apertavam entre convidados, cujo espectro identitário se esticava de transexuais que um dia habitaram corpos de homens, de braços dados com outros (ditos héteros), até mães e pais tradicionais. Quem ali era o quê? Para uma pergunta comum duas décadas atrás, a resposta que sobra, em tempos de sexualidades difusas, parece uma só: o questionamento é que não cabe mais. E tende a ter ainda menos sentido no futuro.
“Afinal, qual é o gênero de Deus?”, pergunta-se o reverendo Cristiano Valério, ao se descrever como homem homossexual e líder da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), “entidade religiosa inclusiva” fundada nos Estados Unidos e instalada há poucos anos no Brasil. Foi ele quem celebrou o casamento na USP. À frente de uma igreja com “bandeira política” – aceitar qualquer indivíduo de qualquer sexualidade e fazer da discussão de gênero e identidade algo do passado –, Valério prediz um futuro no qual o tema seja superado. “Nossos casamentos têm a função de mostrar às pessoas que gênero é uma construção social, e identidade sexual e gênero são coisas bem diferentes. Cada um deve ser aquilo que lhe cai bem, que lhe faz bem. Não é?”
O que o reverendo diz como ativista os pesquisadores têm comprovado na academia: a sociedade, ao menos a ocidental, tende a dar cada vez menos importância às questões de gênero e orientação sexual em prol de escolhas quase customizadas de identidade, baseadas nos direitos individuais de se assumir e buscar satisfação sexual e social como se quiser. “Os pesquisadores hoje lutam com a complexidade do tema. Não assumimos mais que identidade, algo que é autoconstruído, seja o mesmo que comportamento sexual”, explica Julia Heiman, professora de ciências neurológicas e psicológicas da Indiana University, nos Estados Unidos, e diretora do Instituto Kinsey, centro de ponta nos estudos da sexualidade. Um homem que se identifica como heterossexual pode ter sexo com outros homens: o comportamento não anula sua identidade, diz. “Com a exposição às tecnologias, as pessoas tendem a mudar cada vez mais suas expectativas e crenças sobre si mesmas como pessoas sexuais.”

13 novembro 2012

Seria eu um homofóbico?

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Utilizar o transporte coletivo aqui em Florianópolis é como uma experiência antropológica, na qual nos deparados com os mais diversos sujeitos e podemos observar os seus estranhos e pitorescos hábitos. As vezes sou obrigado a utilizar esse meio de transporte, como ontem indo para a UFSC em uma aula de francês. O fato é que bem perto de mim estava um individuo que era homossexual, mas não era um "simples" homossexual, era um daqueles que fazem de tudo para mostrar a sua sexualidade, com gestos e palavras extremamente exacerbadas. Isso me irritou muito, ai eu pensei será que eu sou um gay homofóbico, que não suporta a presença de gays "afetados? Refleti muito, e cheguei a uma conclusão, é claro que eu não sou homofóbico, meu preconceito é de outra natureza. O que eu não suporto são pessoas que não sabem se portar e ter comedimento em locais públicos. O triste fato é que pessoas assim sem um certa educação social, são  geralmente homossexuais que devem ter ou tiveram uma sexualidade muito reprimida e que quando podem fazem de tudo para mostrar a todos que querem e para aqueles que não querem saber da sua homossexualidade. 
Eu sei muito bem que isso é preconceito, até por que sou um defensor de que cada um faz o que quer da sua vida, no entanto respeito com os que estão em sua volta é muito importante e ter uma boa compostura é fundamental para qualquer pessoa "civilizada". 

27 setembro 2012

Mulheres fálicas, homens vaginais.

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Dieison Marconi
Mulheres fálicas, homens vaginais.  Quem quer (e precisa) viver  classificado? Quem tem medo de ficar boiando por aí?  Ter um pênis (pau, pica, pinto seja lá o que você chama) não te faz homem? Não, não faz.  Ter uma vagina, (xoxota, boceta ou  siririca, chame como quiser) não te faz mulher? Não, não faz. E não faz porque não é tua genitália que decide teu gênero, e este, é mais do que qualquer condição biológica, é mais do que se convencionou socialmente ser  masculino e feminino.  Homens não são de Marte, mulheres não são de Vênus. Vivemos um momento de desconstrução de tudo que é definido?  Um momento de desconstrução de tudo que é construído,  de uma sociedade fálica? E agora, que qual será o lugar do falo?
E não sou eu quem diz isso. Quem diz, são pessoas como o transexual australiano Buck Angel , este aí na foto acima.  Ele diz:   “estou mostrando que as coisas não são assim tão limitadas. Você não pode negar que sou completamente homem. Quando estou transando com um homem, parece uma transa gay. Mas você vê um pênis penetrando uma vagina, então... é uma relação hétero ou o quê? Curioso, não? E as pessoas odeiam quando as coisas não cabem nas suas caixas classificatórias... e na verdade me sinto um garanhão que tem uma vagina!”
Quem diz isso são identidades marginalizadas que lutam para assumirem um discurso naturalizado, para debelar  uma mentalidade de uma sociedade falocêntrica que é vergonhosa quando não reconhece que gênero não é definido pelo que você tem no meio das pernas,  e que nisto, desrespeita direitos humanos, como aconteceu com Cece, norte americana,  negra, mulher, transexual. Foi vitima  de agressão, repressão e acabou  presa feito uma criminosa somente porque era é mulher, negra, transexual, com um pênis. Ué,  mas ela não era a vitima?  Conheça a história aqui
Quem diz isso, não sou eu. Quem diz isso, é João, que antes era Joana. Homem com J maiúsculo.  Joana virou João em 1977, a primeira mulher transexual a mudar de sexo no Brasil, que desde os quatro anos de idade, embora preso em um corpo de mulher, era um homem, se identificava com o gênero masculino.  E ele diz: “a nossa cultura infelizmente só concebe o binarismo homem x mulher. Os pais, quando detectam o sexo do bebê, já escolhem o nome e o gênero que este deverá seguir: os brinquedos (boneca para as meninas e carrinho para os meninos), a cor das roupas e como deverá se comportar. Todos já nascem “cirurgiados”. Veja mais aqui, na trip
Quem diz isso, não sou eu: é o pai  que resolve usar saia para apoiar o filho que gosta de usar vestido, e que neste lindo ato de amor e respeito para com o diferente, diz: sim, eu sou um daqueles pais que tentam criar seus filhos de maneira igual. Eu não sou um daqueles pais acadêmicos que divagam sobre a igualdade de gênero durante os seus estudos e, depois, assim que a criança está em casa, se volta para o seu papel convencional. "É absurdo esperar que uma criança de cinco anos consiga se defender sozinha, sem um modelo para guiá-la. Então eu decidi ser esse modelo". Leia aqui 
Por qual motivo eu trouxe essas histórias, essas pessoas e este assunto? Podem achar que eu sou uma bicha revoltada, mas na semana passada achei o Rio Grande do Sul o estado mais ignorante, preconceituoso e segregacionista do mundo.  O RS, se comparado a muitos outros estados,  ainda é um dos mais tolerantes para com a diversidade sexual, mas semana passada era semana Farroupilha, 20 de Setembro, momento de exaltar o gaúcho, o macho, o homem viril, o forte, o homem fálico, guerreiro, uma terra de machos...e machos. Momento de exaltar uma guerra perdida, de colocar o bairrismo nas alturas, momento de passeatas que já expulsaram homossexuais das cavalgadas da nossa "grande semana Farroupilha." Momento de comemorar uma cultura construída, que insiste em nos colocar frente a ideologias  arraigadas e conservadoras.  Quem diz isso, não sou eu que também sou gaúcho.  Quem disso é o próprio Rio Grande Sul, que  há pouco tempo Aprovou o uso de carteira social para travestis e transexuais . Por isso que,  se me orgulho de ser gaúcho, é por atos humanistas como este, não por um tradicionalismo arraigado e preconceituoso, que ignora todo o manancial cultural que é o nosso estado, toda a diversidade de pessoas que existem aqui, não por  uma cultura que sinceramente, NÃO é minha identidade, que não nos representa.  Se o Rio Grande do Sul é tradicionalista, se o gaúcho é macho, eu digo:  o Rio Grande do Sul também é colorido, o gaúcho é gay. 
 "Eu sou de vânia e de vênus, eu sou de pedro e de marta, eu sou de lia, sou de leão, sou de Aires e de Iris, eu sou da terra e vivo a vida, eu sou de vera, sou de verão." (Gustavo Galo / Tatá Aeroplano)
 É preciso mais que um soco pra se fazer um som, um homem, um filme. É preciso seu amor, seu feminino, seu suingue. Pra ser bom de cama é preciso muito mais do que um pau grande. É preciso ser macho, ser fêmea, ser elegante. (Thais Gulin- Cinema americano)


18 setembro 2012

Política e politicagem

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Eu acredito que o poder de votar é uma das maiores conquistas do mundo ocidental nos últimos 300 anos, para mim não existe nada mais democrático que você ter o direito de votar e escolher alguém, independente para o que for. Mas hoje, quero falar de política e de nosso dever de cidadão em votar. Muitos dizem que não gostam de votar ou que votam em branco ou nulo, muitas vezes não temos bons candidatos para votar, pois os candidatos são patéticos. Vou dar dois exemplos absurdos daqui de Floripa, um candidato chamado Gean Loureiro está prometendo dar um iPad para cada aluno se ele for eleito, estamos falando em um investimento de 5 milhões, os quais ele já consegui captar, sem nem ter sido eleito ainda. Outra promessa é passagem gratuita para estudantes. 
1. É engraçado como os candidatos nessas épocas conseguem dinheiro de tudo que é lado, brota em árvores, depois de eleitos nunca tem para nada;
2. Investir em tecnologias é importante, mas gastar 5 milhões com iPad ao invés de capacitar professores para uma educação de qualidade, já que a tecnologia por si só não faz nada se o professor não tiver métodos para aplicar essas tecnologias em suas aulas.
3. Passagem gratuita para estudantes é ótimo, mas estamos falando de uma das cidades com transporte  público mais caro do país ($2,90), e que o partido pelo qual o candidato concorre é o mesmo partido que anos atrás botou a polícia para acabar com uma manifestação estudantil para o passe livre. Estamos falando de uma cidade que a 20 anos possui a mesma empresa no trasporte público, que é de péssima qualidade e que por coincidência é uma empresa ligada a um grande nome politico da cidade. Alguém realmente acredita na gratuidade das passagens para os estudantes?
Esse é só um exemplo de absurdos, não vou citar mais para não me alongar no texto. Eu tenho pena da população em geral que deve ser muito ignorante para os políticos nessas épocas fazerem propostas absurdas e descabíveis com a maior cara de pau. Acho que os leitores aqui do blog são providos de uma boa consciência política e entendem que politica é necessário e que política é diferente de politicagem, e que para além do voto devemos ajudar a abrir os olhos das pessoas menos favorecidas com o esclarecimento, pois sem fazer algo concreto vamos ter mais uma eleição com polítocos que nos veem como uma massa amorfa e facilmente manipulável, para não dizer burra e idiota que cai em falsas promessas. Vamos participar dos debates políticos e constranger esses candidatos questionado essas propostas absurdas, para que eles percebam que somos seres pensantes. 

12 julho 2012

Maria nem sempre vai com as outras!

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Dieison Marconi
         Sempre imaginei que há cristãos que remam contra a maré e não partilham do mesmo ideal de fieis que pregam o amor de um Deus, e em contrapartida, condenam toda a comunidade LGBT por um comportamento avesso a heteronormatividade, desencadeando assim, reações de ódio e  intolerância contra os mesmos, seja no púlpito de suas igrejas, seja fazendo uso de um sistema democrático para “legislar” contra o pluralismo, ou ninguém aí ouviu falar do projeto Cura Gay? 
        O cristianismo sempre foi sexofóbico: um homem e uma mulher não podem fazer sexo por prazer, mas sim para procriar, assegurar a existência da espécie. Quero saber quantos pastores evangélicos pensam o mesmo quando estão na cama com suas esposas.  Por que não usar preservativo na relação sexual? Por que sexo apenas para procriar e não pelo prazer? Por que essa dominação do corpo de homens e mulheres? Por que essas regras de como devem se comportar? Michel Foucault, meu queridinho das aulas de Comunicação e Pensamento Contemporâneo já dizia: “nada é mais físico, nada é mais corporal do que o exercício do poder (..) antes de colocar a questão como da ideologia, não seria mais materialista estudar  a questão do corpo, dos efeitos de poder sobre ele?!" 
         Agora, se um homem e uma mulher em uma relação sexual ( que pode gerar filhos) não podem transar por prazer, oh meu Deus, e dois homens ou duas mulheres, então? Lugarzinho certo e bem merecido no inferno! Não meus  caros, nem todos os cristãos pensam assim! E no vídeo abaixo, apresento-lhes o pastor evangélico Alexandre Marcos Cabral. O discurso de Cabral me deixa alegre  sim, pois são palavras que defendem a naturalização da homossexualidade, e que dessa vez, não partem de nós LGBTs, mas sim do meio cristão, quando muitos destes, nos julgam imorais, sujos e indignos. Prestem atenção nesses dois trechinhos da entrevista que ele cedeu ao Conexão Jornalismo:
Sobre o projeto Cura Gay proposto pela Bancada Evangélica 
“Não consigo entender como uma pessoa consegue ler a bíblia, falar que tem uma fé profunda em cristo e ao mesmo tempo ela consegue dizimar, perseguir filhos, parentes, amigos, por causa dessa condição sexual que é avessa à sua e legitimar isso em nome desse Cristo que nem tocou nesta questão e, pior ainda, toda a moralidade dele ta baseada, justamente, não na tolerância – porque a tolerância é um ódio bem administrado – mas no respeito e numa valorização da diferença.”
O que ele diz sobre a  Bíblia, seus dogmas e conceitos 
 “A bíblia manda matar o homem que não tem barca, pessoas que comem crustáceos, as mulheres que ficam menstruadas devem ficar em casa o dia inteiro até 7 horas da noite, se tocarem na parede, mais 7 dias... Tudo isso tá na bíblia, por que as pessoas não seguem? Eu não vejo nenhuma mulher trancada em casa porque está menstruada e não me consta que nenhum pastor faça isso com suas mulheres e deixem de raspar a barba porque leem esses textos, e esses textos, por sinal, estão ao lado do texto que fala contra a relação entre homossexualidade e idolatria.  
Se a gente for levar ao pé da letra, então ta na hora da gente dizimar metade dos homens da humanidade porque fazem a barba e mais ainda uma grande parcela da humanidade porque comem crustáceos.
Vejam o vídeo da entrevista, que tem  apenas 12 minutos. 


24 janeiro 2012

Crítica ao blog Muque de Peão: a falta de compreensão social

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Vou fazer hoje uma coisa que não gosto muito, que é falar publicamente não apenas mal de um blog, mas pedir para que os meus caros leitores não percam o seu tempo lendo esse blog. Refiro-me ao blog Muque de Peão, mais especificamente esse post Aqui que me causou revolta e que aborda os conflitos no pinheirinho. 
Primeiro gostaria de analisar o seguinte comentário que o autor do texto fala: "Se você não for comunista até os 20 anos é sinal que não tem coração. Se for comunista depois dos 30 é sinal que não tem cérebro".  Não sei que pessoa desprovida de ideologia disse isso, mas sei que muitos mandantes desses atos violentos e repressores seguem essa filosofia ai, vide o passado de Serra e seus amiguinhos tucanos que no passado seguiram e pregaram a resistência diante da repressão da ditadura, e que agora esquecem seus sonhos e ideologias em nome de dinheiro e poder! Bem louvável mesmo essa filosofia hein! Palavras de nossa colunista Gabi que assim como eu está revoltada com tamanha falta de compreensão social.
Alguém avisa esse esse individuo que proferiu ridículas palavras, que pobreza não é questão de policia, mas sim uma questão social que precisa urgentemente de uma solução. Avisa também que se os policiais estivessem fazendo um bom trabalho, estariam nas ruas combatendo a homofobia e não espancando pais de famílias que ocuparam esse território por pura falta de opção, já que não temos uma reforma agrária e nem uma reformulação do espaço urbano. Para quem deseja entender melhor sobre o assunto pode dar uma olhada nessa matéria do Yahoo.
Gostaria de terminar esse post falando de algo que eu sempre falo, da importância da educação. Nem todos tem as mesmas condições ou oportunidades de acesso a educação, o que por conseguinte gera tremendas desigualdades sociais. Não é por oportunismo ou por acaso que ocorrem essas invasões de espaços territoriais, mas sim por falta de oportunidades,  pelo descaso dos governos e pela ganância de alguns poucos que provocam a pobreza de muitos. 

11 outubro 2011

Feliz triste dia das Crianças

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Tá ai a minha homenagem para o dia das crianças. Exército revistando as crianças no complexo do alemão!!!
Queria aproveitar para dizer para quem colocou a fotinho de desenho no perfil do facebook, que só isso não adianta, não basta apenas se conscientizar. Depois da conscientização tem que vir a ação, é nessa hora que você que acha lindinho a sua foto de thundercats levantar a bunda da cadeira e partir para a ação, por que o mundo real está lá fora, está lá no complexo do alemão.
Gostaria de perguntar também qual vai ser a referência dessas crianças, pois enquanto muito de nós cresceu em uma casa confortável e rodeados por brinquedos, essas crianças crescem cercadas pela violência, por armas e pelo exército tratando-as como marginais e delinquentes. 
A História é marcada por mudanças e continuidades, infelizmente nem toda mudança é para melhor e nem toda continuidade é boa, é só voltarmos para o início do século XX no Brasil, quando ser pobre era sinônimo de classes perigosas, que deveriam ser reprimidas e controladas. Me parece que essa é uma das continuidades, muito embora hoje exitem ajudas assistenciais para os pobres, o que não existia no início do século XX. Porém o que percebe-se é que ser pobre e principalmente ser pobre e negro continua sendo sinônimo se não de classes perigosas, mas pelo menos de classes esquecidas, pois ajuda assistencial não se deve fazer apenas com dinheiro, mas sim com educação, cultura e principalmente humanidade. 
Muitos podem dizer: Ah mas é preciso revistar essas crianças, porque elas podem estar servindo de "mulas" para o tráfico. Isso é verdade, dada o situação social que elas se encontram e no contexto da favela, elas podem sim estar servindo de "mula" para o tráfico, mas o que não deveria era essa atitude de colocar as crianças contra a parede de mãos erguidas e o exercito com fuzis nas mãos tratando-as como marginais. E não vamos ser ingênuos de acreditar que o tráfico está apenas na favela, queria ver se fossem crianças de bairros de classe média alta tendo esse tratamento, provavelmente seria um escândalo na mídia. 
Feliz dia das crianças para você, já que muitas não terão um dia feliz!!!  

31 março 2011

Proteja o Brasil do Bolsonaro

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Estou repassando aqui no blog um e-mail que recebi e que achei muito interessante.


Caros amigos, 




O Deputado Jair Bolsonaro deu uma entrevista homofóbica e racista chocante em rede nacional -- expondo o preconceito terrível que ainda assombra o Brasil. Enquanto já existem leis que protegem pessoas contra a descriminação, pessoas trans, gays e lésbicas ainda não tem nenhuma proteção legal.

Somente no ano passado 250 pessoas foram assassinadas por serem trans ou homossexuais. A homofobia é real e ela mata. Mesmo assim não há lei que proteja pessoas GLBT da discriminação. Ainda se pode demitir alguém somente pela pessoa ser gay e a violência homofóbica não é punida como crime de preconceito.

Vamos direcionar a nossa indignação contra o Bolsonaro em uma ação concreta, acabando com este ataque à igualdade. Vamos pressionar o Congresso a aprovar a lei anti-homofobia que irá salvar vidas inocentes e ampliar proteções para todos os brasileiros. A petição será entregue em uma marcha massiva em Brasília. Clique abaixo para assinar:


O Brasil se orgulha em ter uma cultura aberta e tolerante, se colocando como líder na luta por proteções aos direitos humanos no mundo. Mas o nosso país é também um dos lugares mais perigosos do mundo para transexuais -- que sofrem uma violência brutal e execuções sumárias. Até mesmo o Deputado Jean Wyllys recebeu ameaças de morte por defender direitos GLBT no Congresso Nacional.

Nosso país sofre com uma mentalidade discriminatória retrógrada e perigosa que não reflete a sociedade que a maioria de nós quer.

20 Deputados já pediram investigação sobre Bolsonoro pela quebra de decoro parlamentar por racismo. Agora nós precisamos de uma lei contra crimes de homofobia e violência contra a população GLBT do Brasil. Assine a petição abaixo por igualdade e justiça-- ela será entregue em Brasilia com a ajuda dos nossos amigos do All Out e grupos GLBT brasileiros:


A Avaaz se mobilizou contra a legislação na Uganda que queria executar gays -- e a proposta foi derrotada! Nós estamos organizando uma campanha contra a prática brutal de estuprar mulheres para "curá-las" do lesbianismo. Agora chegou a hora de nós lutarmos contra a discriminação e violência aqui no nosso país.


Leia mais: 

Jair Bolsonaro dá entrevista polêmica no 'CQC', veja: 

Número de assassinatos de homossexuais bate recorde no País: 

Grupo de parlamentares entrará com representação contra Bolsonaro por quebra de decoro: 

Bolsonaro rasga Constituição a cada frase, diz movimento gay:

Saiba mais sobre All Out, uma nova organização internacional de direitos GLBT: 

'Estou me lixando para movimento gay', diz Jair Bolsonaro:

29 março 2011

Bullying homofobico nos EUA

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Esse vídeo mostra uma trsite realidade norte-americana, altos indices de suicidio por jovens homossexuais por sofrerem bullying. Temos que lutar para que essa realidade não se repita aqui no Brasil, pois já temos altos indices de assasinatos de homossexuais, não precisamos também de suicidos!!!!


18 março 2011

STJ interrompe julgamento sobre união homoafetiva

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O julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) do reconhecimento de união estável para um casal homossexual foi adiado. A matéria foi analisada pela Segunda Seção do tribunal, mas o ministro Raul Araújo pediu vistas do processo e interrompeu o julgamento. Três ministros já haviam seguido o parecer da relatora Nancy Andrighi e votado favoravelmente à união estável homoafetiva. Outros dois magistrados se manifestaram contrários.
A Segunda Seção do STJ é composta pelos ministros responsáveis pelos julgamentos de casos relativos a Direito de Família e Direito Privado. A decisão do tribunal sobre o caso deve servir de jurisprudência para julgamentos proferidos em outras instâncias.
O caso em questão analisado pelo STJ é sobre um casal homossexual do Rio Grande do Sul. O homem que propôs a ação afirma ter vivido em "união estável" com o parceiro entre 1993 e 2004, período em que foram adquiridos diversos bens móveis e imóveis, sempre em nome do companheiro. Com o fim do relacionamento, o autor pediu a partilha do patrimônio e a fixação de pensão alimentícia, já que dependia economicamente do parceiro.
Na primeira instância, o pedido foi julgado procedente. O magistrado reconheceu a união estável e determinou a partilha dos bens adquiridos durante a convivência, além de fixar pensão alimentícia no valor de R$ 1 mil até a efetivação da divisão. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), porém, afastou a obrigação de pagar pensão, mas manteve a sentença quanto ao restante.
O TJ-RS entendeu que "a união homoafetiva é fato social que se perpetua no tempo, não se podendo admitir a exclusão do abrigamento legal, impondo prevalecer a relação de afeto exteriorizada ao efeito de efetiva constituição de família, sob pena de afronta ao direito pessoal individual à vida, com violação dos princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana". O parceiro obrigado a dividir seus bens alega, no STJ, que a decisão da Justiça gaúcha viola artigos dos códigos civis de 1916 e 2002, além da Lei n. 9.278/1996. Esses artigos se referem, todos, de algum modo, à união estável como união entre um homem e uma mulher, ou às regras da sociedade de fato.
O voto da ministra relatora Nancy Andrighi afirma que, na falta de lei específica, o Judiciário não pode ser omisso. Por isso, o direito de união estável entre heterossexuais deve ser aplicado, por analogia, a casais homossexuais.
Pois é mais uma vez ficamos para trás!!! e até quando??

06 fevereiro 2011

Domingo da Informação: Polêmica no carnaval

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A Unidos da Tijuca inaugurou oficialmente no sábado a sua nova quadra na Avenida Francisco Bicalho e uma polêmica: a criação de um banheiro destinado ao público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). Para Cláudio Nascimento, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT do Rio, a proposta é sinal de preconceito. Ele informou que serão encaminhados ofícios a todas as escolas de samba que já tenham adotado o banheiro LGBT. Em 2006, a Unidos do Viradouro, de Niterói, inaugurou o primeiro banheiro gay de locais públicos do estado. 

"É um apartheid carnavalesco. Se a intenção era incluir ou proteger os LGBT de preconceitos, tenham certeza de que ela exclui, estigmatiza, extrapola o bom senso e estimula a homofobia", afirma Claudio, que é também coordenador do Programa Rio sem Homofobia e superintendente de Direitos Individuais Coletivos e Difusos da Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos

Coordenador de comunicação social da Unidos da Tijuca, Bruno Tenório diz que a intenção foi apenas atender a uma demanda do público LGBT que frequenta a quadra da escola: 

"Os transexuais se sentem discriminados. O uso desse banheiro não é uma obrigação, e sim mais uma opção. O metrô, por exemplo, tem um vagão só para mulheres, mas isso não quer dizer que elas não possam viajar nos outros". 

Coreógrafo da primeira ala — a dos Ursos — voltada para gays, há cinco anos, Eduardo Saadi não vê problemas na criação do banheiro LGBT: 

"Acho que é um lugar para todos se sentirem mais à vontade, longe de olhares curiosos".

Eu pessoalmente não concordo com esses banheiros, como já disse em outras vezes aqui no blog, se procuramos a igualdade não tem por que criar espaços públicos que nos diferenciam das demais pssoas, na esfera pública eu sou gay sim, gay e homem, por isso devo utilizar por educação e bom senso um banheiro masculino, tanto gays quanto heteros devem aprender a viver e socializar um mesmo espaço, para que ai sim possa acabar os preconceitos, por que se existe discriminação nos banheiros é por que existe preconceito, e  ele não será combatido com a separação de generos.

23 janeiro 2011

Os 10 maiores problemas de saúde enfrentados por gays

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As dez coisas que o gay deve se lembrar de perguntar quando for ao médico, de acordo com o GLMA (GAY AND LESBIAN MEDICAL ASSOCIATION)

 
De acordo com os levantamentos médicos, os gays procuram mais os serviços médicos do que as lésbicas, mas menos do que a população heterossexual, o que parece estar relacionado com vergonha ou medo de ser discriminado por um profissional.
Mas isso não é verdade, os médicos são treinados para responder quaisquer questões, especialmente depois da necessidade de se ter médicos para o tratamento da AIDS e das DSTs entre homens homossexuais O ideal é que se tenha um médico de confiança que possa ser acessível todas as vezes que for necessário, e que poderá indicar especialistas quando necessário.
Os serviços de apoio para a comunidade gay, os serviços médicos de universidades, os postos de saúde podem ser muito úteis para se auxiliar a procura de profissionais acessíveis. Caso você se sinta discriminado ou tenha alguma queixa não hesite em procurar o Conselho Regional de Medicina do seu estado, ou o Conselho Federal de Medicina.
1-AIDS e HIV.
Como todo mundo sabe, alguns gays são ainda um grupo com comportamento de risco para se adquirir o HIV em relações sexuais. Claro que isso mudou muito desde o aparecimento da doença. Mas sempre é algo que devemos falar e perguntar para o médico. Aqui tem umas coisas muito importantes!
• Só a camisinha impede a transmissão do vírus, e são baratas ou você pode conseguir gratuitamente em ONGs, Postos de Saúde.
• Os testes para HIV e seu controle podem ser realizados em vários locais, e em qualquer posto de saúde gratuitamente Hoje em dia os tratamentos para controle do vírus são muito eficazes e gratuitos no Brasil, e que quanto mais cedo uma pessoa souber que é portadora do vírus, maior vai ser o sucesso da medicação.

2-Uso de drogas e álcool
O consumo de drogas ilegais entre gays é bem maior do que na população de forma geral. Aqui incluem-se os “poppers”, maconha, Ecstasy e anfetaminas. Todas tem efeitos colaterais sérios e podem levar a dependência, além de ser muito contra indicadas para quem é portador do HIV ou outras doenças, como alterações do fígado, por exemplo. Há relação direta entre o uso de drogas e a infecção por HIV. Os gays perecem apresentar um maior consumo de bebidas alcoólicas e maiores índices de alcoolismo do que heterossexuais. Uma taça de vinho tinto por dia está relacionada como um fator de proteção para doenças cardiovasculares, mas parece que a necessidade de aceitação social, o tipo de vida noturna e o uso das bebidas alcoólicas como forma de se desinibir estão entre os principais fatores de risco para o alcoolismo entre gays.

3 -Depressão/ansiedade.
Os índices de depressão e ansiedade são maiores na população gay do que na população em geral. Isto está associado principalmente a dificuldade muitas vezes de se assumir perante a família e sociedade. Os índices de suicídio entre adolescentes gays é também maior do que em outros adolescentes, pelos mesmos motivos. Por isso se você se sentir deprimido, triste, ansioso, comendo muito, ou muito pouco, tendo problemas com sono, procure um médico ou psicólogo. Os gays apresentam ainda alguns problemas de depressão e ansiedade relacionados com a dificuldade de se manter relacionamentos estáveis, mas cada vez mais há profissionais da área da saúde que podem auxiliar.

4 –Hepatite.
Homens que mantém relações sexuais com homens apresentam um risco bem maior de se infectar pelos vírus da hepatite. Esta infecção pode ser fatal, ou levar a condições como a cirrose ou câncer de fígado. As hepatites A e B já tem vacinas, o que é uma obrigação de todo gay tomar, mas a hepatite C ainda não e a única forma de se evitar qualquer uma delas é a prática de sexo seguro.

5–Doenças Sexualmente Transmissíveis- DSTs
As DSTs são mais frequentes em homens gays, algumas tem tratamento médico (gonorréia, sífilis, clamídia, sarna, chato, etc.) e outras ainda não (hepatites, AIDS, HPV). A única forma efetiva de prevenção é a visita regular ao médico e o uso da camisinha.

6–Câncer de próstata, testículo e cólon( reto/ânus)
Devido as práticas sexuais, ao uso de hormônios anabolizantes , e a falta de exames periódicos os gays podem estar mais sujeitos a contrair estes tipos de câncer do que homens heterossexuais. O meio mais eficaz para se prevenir e identificar precocemente estes cânceres é a visita regular ao médico para realização de exames. Além disso qualquer alteração anal ou sexual e urinária deve ser vista por um médico.

7- Violência doméstica ou nas ruas.
A violência é um dos maiores problemas para os gays, no Brasil, a cada dois dias um homossexual é assassinado. Isso sem falar dos que sofrem violências físicas nas ruas. Temos ainda um problema grande em relação ao desrespeito em escolas, locais de trabalho, família, muitas vezes com discriminação, violência verbal, física ou psicológica. O que é contra a lei, hoje em dia pelas leis brasileiras ninguém pode impedir ou censurar homo ou heterossexuais de exprimir seus sentimentos carícias, e mesmo dar bandeira se quiser em nenhum lugar. As multas são altíssimas, e são facilmente aplicáveis. O que é uma vitória da defesa da cidadania de qualquer indivíduo. E como se não bastasse há o problema da violência doméstica ou entre parceiros. Alguns estudos mostram que a violência entre casais gays é igual a dos casais hétero, com uma incidência maior entre homens. Se alguma destas situações tiver ocorrido a você não hesite, vá a uma delegacia, preste queixa, ou entre em contato com associações como o a Defensoria Homossexual que eles saberão como te auxiliar.

8-Tabagismo
Estudos americanos mostram que homens gays fumam até 50% mais do que heterossexuais. Os principais problemas relacionados com o tabagismo são: câncer de pulmão, doenças cardíacas, aumento da pressão arterial, impotência, entre outras. Nos Estados Unidos e na Europa já há várias campanhas para prevenção para o tabagismo entre gays.

9.Atividades físicas e dietas.
Todo mundo sabe que os gays curtem mais fazer exercícios para Ter um “corpão” do que pela saúde. E isso é meio complicado. Os problemas com a imagem corporal são uns dos mais frequentes entre homossexuais do sexo masculino. A comunidade gay muitas vezes exige que de acordo com sua forma física você decida a que grupo vai pertencer, você fica ai tendo que decidir se quer ser barbie e se matar na academia e de tomar bombas, ou se está cima do peso e é peludo tem que ser urso, ou se é liso, chubby. Ou se não é malhado, nem gordinho, nem forte, não é nada, e ai suas chances de ser feliz diminuem. Em todas as fotos de boates, festas, sempre aparecem os “corpos mais sarados”, e até nos filmes pornográficos, quem é normal não tem vez, ou você faz parte dos musculosos, ou das exceções, como ursos, chubbies, daddies, teens. Claro que é legal ter preferências, mas o problema é prá quem não tem. Ai se vê obrigado a ficar enquadrado. A imagem corporal e a forma física deveriam estar muito mais relacionadas à saúde, do que aos esteriótipos no mundo gay. Mas infelizmente não é bem assim Este excesso de preocupação com a imagem corporal leva os gays a apresentarem grandes índices de desordens alimentares e até desnutrição. As atividades físicas regulares, especialmente as aeróbicas, como corrida e natação, são excelentes fatores de promoção à saúde, mas entre os gays há um consumo muito grande de hormônios esteróides anabolizantes, com intuito de se aumentar a massa muscular, que podem levar a sérios problemas de saúde como cirrose, hepatite, câncer de próstata, fígado e ginecomastia. Por outro lado, há também um grande número de gays sedentários e obesos, que podem levar ao aparecimento de doenças como diabetes , infartos e hipertensão. E depois do coquetel para AIDS , os gays começaram a apresentar a lipodistrofia, que mexe na imagem corporal, e precisa de exercícios para auxiliar no seu controle e prevenção.

10.Papiloma anal e genital e HPV.
De todas as doenças sexualmente transmissíveis que os gays podem adquirir, o vírus do papiloma humano, que causa lesões anais e genitais popularmente conhecidas como “ Crista de Galo” ou condiloma, estão entre as mais incômodas e que precisam de cuidados. O papiloma anal e genital está associado a índices de câncer anal e peniano entre os gays. Atualmente se recomenda que todos os gays sejam submetidos ao exame de Papanicolau anal ( o Papa), que é muito útil para se detectar lesões iniciais e facilmente tratáveis. Um exame chamado de peniscopia também é muito útil e fácil de ser realizado. Ambos os exames são indolores . A única forma de se evitar o papiloma é o uso de preservativo e o índice de contaminação é muito alto. E se não for bem cuidado pode aparecer em outros locais como a boca.

01 dezembro 2010

Barbárie no Rio de Janeiro

3 comentários
Policiais realizam ocupação no complexo de favelas do Alemão, na zona norte do RioEmbora o blog se proponha a trazer discussões e informações sobre o mundo GLS, resolvi trazer uma matéria diferente. Estava olhando o site do jornal correio brasiliense  (http://www.correiobraziliense.com.br)  e li essa reportagem que me deixou preocupado, mas não chocado, pois era algo que já imaginava que fosse acontecer.

Denuncias de moradores Vila Cruzeiro e do complexo do Alemão sobre abusos praticados durante as ações policiais nas favelas revelam o outro lado das operações contra o tráfico de drogas no Rio.
Na Vila Cruzeiro, uma comunidade que era totalmente dominada pelo tráfico de drogas há pelo menos sete anos, o clima dentro da favela no primeiro sábado após a ocupação das forças de segurança pública oscilou entre o alívio pelo aparente fim da guerra travada nos últimos dias e a revolta em virtude de abusos praticados durante as ações.
“Cheguei do trabalho na sexta-feira vibrando. Pô, ver a polícia aqui tomando conta, coisa que em 30 anos de favela eu nunca tinha visto, era bom demais. Mas o mocinho virou bandido”, lamenta Cosme Souza dos Santos. Porteiro em um prédio no centro da cidade e morador da Rua da Rainha, na Vila Cruzeiro, Cosme encontrou o portão de sua casa, instalado há menos de dois meses, arrombado. Roupas foram jogadas no chão. Móveis, destruídos. Anéis, brincos e um relógio da mulher do morador, Sandra Ferreira, sumiram.  Vizinhos que acompanharam Cosme até a delegacia, onde o homem registrou ocorrência, apontaram policiais como os autores do arrombamento da casa. “Abriram minha geladeira e tomaram todos os refrigerantes que tinha, quase 10 latas”, reclama o porteiro, mostrando um recipiente vazio no quarto, abarrotado de objetos jogados no chão. “Minha casa ficou aberta, qualquer um podia entrar e levar o resto dos meus pertences conseguidos com muito suor e muito trabalho”, revolta-se Cosme, em frente à residência humilde localizada em um corredor estreito da Vila Cruzeiro.

“A comunidade não tem nada a ver com os bandidos. A gente mora aqui por necessidade. Você acha que eu não gostaria de ir para outro lugar? Mas eles tratam todo mundo igual”, reclama Luciene. Ela ainda não arrumou a fechadura de casa. Nem sabe quando poderá fazer o conserto. A mulher acredita que terá de passar mais uma noite na casa da irmã   — ela está lá desde a quinta-feira passada — em virtude da falta de luz na Vila Cruzeiro. “A gente não quer traficante aqui, só quer que a polícia trabalhe direito, pegue quem tem que pegar e pronto. Sem esculachar a gente”

No início da tarde, uma senhora baixa e negra que gritava na praça, com uma criança no colo, era o retrato do desespero. “Tem 24 horas que meu menino de 16 anos está sumido. Botaram o corpo dele para os porcos”, chorava a mulher, identificada apenas como Dineia. Todos os moradores sabem onde fica o local sobre o qual a senhora falava. “É na vacaria, tem corpo lá, sim”, confirmaram os cerca de 10 transeuntes consultados pela reportagem na subida do morro da Vila Cruzeiro. O local é coberto por mata e pedras. Em vez de vacas, criadas no local tempos atrás, havia porcos se alimentando de cadáveres.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Rio de Janeiro informou não ter conhecimento do fato. Os moradores defendem, enfaticamente, que os corpos são de “vagabundos”, mas também de “inocentes” atingidos durante o confronto. Independentemente da verdade, o conflito urbano que já entrou para a história da segurança pública brasileira será lembrado por pessoas de bem que querem paz, mas também querem respeito.
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